
As pedras preciosas sempre me chamaram a atenção.
Desde criança, tinha o sonho de encontrar pedras preciosas, apesar de viver em uma região onde não é comum encontrá-las.
Venho de uma família que sempre teve ligação com a terra, mas na condição de agricultores e não de garimpeiros.
Mesmo assim, a fixação em encontrar pedras preciosas crescia cada vez mais em mim.
Um dia, indo em uma excursão para a cidade de Salvador, Bahia, passei por Teófilo Otoni. Ainda não sabia o nome dessa cidade, mas quando desci em um posto de gasolina, olhei ao meu redor e senti uma intuição muito forte e clara. Algo me disse assim: “Você ainda voltará a essa cidade e será para ficar”. Cheguei a contar ao meu primo, que também estava na excursão, o que havia sentido quando olhei pela primeira vez para Teófilo Otoni. Achei estranho, pois nunca havia nem passado por tal cidade, localizada ao nordeste de Minas Gerais, a 850 quilômetros da minha Conceição da Aparecida, ao sul de Minas.
Até então, eu nem sequer sabia o nome da cidade.
Para encurtar a longa história, passados dois anos conheci, namorei e, em 1996, casei-me com um rapaz de Teófilo Otoni, indo, então, morar lá.
E lá estava eu morando na cidade em que eu já sabia que iria morar e que tem o título de “Capital Mundial das Pedras Preciosas”.
Pensei: “É muita coincidência. Creio que vim para cá para achar as pedras preciosas que sempre quis”.
Por várias vezes cheguei a procurar do meu jeito as pedras preciosas que queria encontrar.
Passado algum tempo, encontrei, enfim, a pedra preciosa por que tanto ansiava. Essa pedra, porém, não era uma pedra preciosa de valor comercial, mas de incalculável valor espiritual.
Foi então que, depois dos 30 anos de idade, entendi que a pedra preciosa que, desde criança, eu buscava do lado de fora estava, na verdade, dentro de mim. Entendi também que, mesmo se não a encontrasse, apenas o fato de a estar buscando no lugar certo, ou seja, em mim mesma, já era o suficiente para descobrir segredos que jamais pensei encontrar.
Aprendi, então, a chamá-la de “pedra filosofal”. E o que busco com o projeto e o livro é compartilhar, com outros, a pedra preciosa, que encontrei aqui em Teófilo Otoni.
Izabel Ribeiro |